Malhação terapêutica no Câncer


A prática de atividades físicas sempre constou entre as orientações médicas quando o assunto é bem-estar e qualidade de vida. E hoje, a recomendação também se estende ao paciente com câncer. Um número cada vez maior de instituições especializadas na assistência oncológica inclui os exercícios físicos como coadjuvantes em todas as fases do tratamento: antes e depois da cirurgia, da quimioterapia e/ou da radioterapia. 

Oncologistas e fisiatras garantem que fazer exercícios não só é seguro e possível, como também ajuda a melhorar a resposta ao tratamento, a disposição e a qualidade de vida do paciente. 

Entre os principais benefícios, garantem, estão: 
  • melhora da autoestima; 
  • controle do peso; 
  • diminuição do risco de desenvolver depressão e náuseas; 
  • melhora do humor; 
  • e combate da fadiga e da caquexia (síndrome multifatorial caracterizada pela perda contínua de massa muscular, com ou sem a presença de perda de gordura). 
“A prática de exercícios ajuda a melhorar a capacidade física e permite ao paciente maior independência para atividades cotidianas, beneficiando o tratamento e a recuperação da saúde. Por isso, é importante que os oncologistas orientem seus pacientes para que se exercitem”, diz a fisiatra Christina Brito, coordenadora o Serviço de Reabilitação do Instituto do câncer do estado de São Paulo (Icesp).

De acordo com Christina, no momento do diagnóstico da doença, a boa condição física ajuda o paciente a aceitar mais facilmente o tratamento, o que 
é considerado positivo do ponto de vista psicológico a continuidade das atividades durante o tratamento auxilia na redução de alguns efeitos colaterais da terapia. “Com os exercícios físicos, trabalhamos em importantes frentes contra a doença, incluindo o manejo da dor e o combate à fadiga crônica, manifestação que acomete 90% dos pacientes com qualquer tipo de câncer”. 

A especialista lembra que, no caso de tumores de mama e cólon, estudos científicos comprovam que os exercícios, além de colaborarem no tratamento, diminuem as chances de recidiva. 
Com relação ao câncer de próstata, ela cita estudo publicado no Journal of Clinical Oncology, em 2010, demonstrando que apenas 15 minutos diários de exercícios foram suficientes para reduzir a taxa de mortalidade em pacientes com a doença. Os pesquisadores, da Escola de Saúde Pública de Harvard (EUA), avaliaram os níveis de atividade física de 2.686 pacientes, antes e depois do diagnóstico.

A médica ressalta que outro aspecto importante é o aumento da eficiência metabólica e energética do corpo, reduzindo assim a ação dos carcinógenos. Segundo ela, para cada paciente é criado um programa de exercícios, levando em conta suas necessidades terapêuticas e condição clínica. 

Entre os muitos pacientes que já tratou com bons resultados, Christina, também coordenadora médica de Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio-
-Libanês (SP), cita um homem de 60 anos com câncer de pulmão, que chegou bastante fragilizado, com sedentarismo crônico, dor, fadiga e distúrbios do sono. Após três meses de acompanhamento, sua qualidade de vida melhorou significativamente.

Exercícios na receita médica

No início de outubro, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo lançou um programa inédito no País, o Exercise is Medicine (exercício é remédio), que prevê que médicos da rede pública, sempre que possível, prescrevam na receita exercícios físicos a seus pacientes. 

Criado há cinco anos pelo American College of Sports Medicine (considerada a maior organização de medicina esportiva e ciência do exercício do mundo) e pela American Medical Association, a ação foi implantada em parceria com o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs). 

O programa consiste na capacitação dos profissionais em relação à inclusão da atividade física na rotina de condutas terapêuticas para tratamento e recuperação de doenças crônicas, entre elas o câncer. 

Além de prescrever a atividade física, o médico também deve indicar o paciente a um profissional de educação física. Inicialmente, o programa ocorre na capital, mas deve ser ampliado para as demais cidades paulistas, por meio de uma rede virtual de capacitação. A ideia é levar, no futuro, a ação para todo o Brasil. A logística para que isso aconteça será discutida com o Ministério da Saúde.

Leia a notícia na íntegra no site do INCA.

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